Prefeitura de Camaragibe realiza oficinas para fortalecer educação antirracista nas escolas da rede municipal - Blog do Edson Alves

    
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Prefeitura de Camaragibe realiza oficinas para fortalecer educação antirracista nas escolas da rede municipal

Município é um dos primeiros da Região Metropolitana do Recife a implementar uma política permanente de educação antirracista na rede municipal. Formação reuniu cerca de 750 profissionais e marca a primeira grande ação após o decreto que instituiu a política pública

Camaragibe deu mais um passo na consolidação da política permanente de educação antirracista na rede municipal de ensino e se tornou um dos primeiros municípios da Região Metropolitana do Recife a estruturar e colocar em prática a iniciativa. A primeira grande ação após a publicação, em junho, do decreto que instituiu a medida foi realizada nesta terça-feira (28/07). A Prefeitura de Camaragibe, por meio da Secretaria de Educação, promoveu uma formação com 15 oficinas práticas para cerca de 750 gestores, professores, coordenadores pedagógicos e técnicos da rede municipal.
A capacitação apresentou estratégias pedagógicas para fortalecer o ensino da história e das culturas afro-brasileira, africana, indígena e quilombola no cotidiano das escolas, reforçando a implementação da política pública permanente.

Para o prefeito Diego Cabral, a educação antirracista é essencial para que as escolas sejam espaços de respeito, valorização da diversidade e enfrentamento ao preconceito. “Estamos construindo uma política pública permanente para que nossas escolas reconheçam e valorizem a história, a cultura e as contribuições dos povos afro-brasileiros, africanos, indígenas e quilombolas. Uma educação comprometida com a igualdade e o respeito às diferenças é essencial para formar cidadãos mais conscientes e preparar nossas crianças e jovens para uma sociedade mais justa”, afirmou.

As oficinas aconteceram simultaneamente nas escolas municipais José Collier e Imaculada Conceição, nos turnos da manhã, tarde e noite. A programação foi repetida para diferentes turmas, ampliando o alcance da formação. As atividades noturnas atenderam, principalmente, aos profissionais da Educação de Jovens e Adultos (EJA).

A formação foi conduzida por professores universitários, pesquisadores e especialistas nas áreas de educação, diversidade e formação docente. A programação reuniu representantes da Universidade de Pernambuco (UPE), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), além de profissionais convidados com experiência em práticas pedagógicas voltadas à valorização da diversidade. O conteúdo das oficinas foi definido a partir de uma escuta com professores da rede municipal, buscando responder aos principais desafios enfrentados em sala de aula na abordagem desses temas.

Para o secretário de Educação, Alex Souza, a formação representou um passo importante para transformar as diretrizes do decreto em ações concretas nas unidades de ensino. “Nosso objetivo é oferecer aos profissionais ferramentas que possam ser aplicadas no planejamento pedagógico e nas práticas diárias, garantindo que a educação antirracista esteja presente durante todo o ano letivo e alcance todas as etapas da rede municipal”, afirmou.

Segundo a coordenadora de Educação Antirracista da Secretaria de Educação, Amanda Carla Melo de Barros, a programação foi planejada para aproximar o debate da realidade das escolas e oferecer instrumentos que permitam aos profissionais desenvolver esse trabalho de forma contínua. “A formação foi pensada para unir reflexão, diálogo e estratégias práticas, para que os profissionais possam levar essas discussões para o cotidiano das escolas e fortalecer uma educação antirracista”, destacou.

Durante as oficinas, os participantes conheceram estratégias para incorporar a educação antirracista ao cotidiano escolar. Entre os temas abordados estiveram a valorização das palavras de origem africana presentes na língua portuguesa como expressão de resistência e ancestralidade, a seleção de livros que ampliem as referências dos estudantes e o desenvolvimento de práticas pedagógicas voltadas ao fortalecimento da identidade, da autoestima e do sentimento de pertencimento de crianças e jovens.

Outro eixo da formação foi a construção de práticas que auxiliem a escola a reconhecer e valorizar diferentes formas de expressão cultural. Os educadores participaram de atividades sobre estética negra, discutindo o significado dos cabelos crespos, das tranças e dos turbantes como elementos de identidade, além de estratégias para promover o respeito à diversidade religiosa e combater a intolerância no ambiente escolar.

Na educação infantil, as oficinas apresentaram estratégias para levar a educação antirracista ao universo das brincadeiras e das histórias. Os participantes conheceram formas de trabalhar a diversidade por meio de livros, brinquedos e jogos inspirados nas culturas afro-brasileira e indígena, criando experiências voltadas ao respeito às diferenças desde os primeiros anos de vida.

A formação também abordou o papel das imagens, da tecnologia, da literatura e da arte na construção das identidades. Durante as atividades, os educadores refletiram sobre como os materiais utilizados pelas escolas, as histórias apresentadas aos estudantes e as práticas corporais e artísticas podem ampliar a presença de diferentes culturas no ambiente escolar.
Outro tema discutido foi o uso de dados sobre a aprendizagem dos estudantes para identificar desigualdades e orientar o planejamento pedagógico.

Os participantes conheceram estratégias para utilizar essas informações na definição de intervenções mais adequadas à realidade de cada escola, ampliando as oportunidades de aprendizagem.
Além da formação realizada nesta terça-feira (28/07), a Secretaria de Educação está realizando o mapeamento das comunidades quilombolas do município para identificar onde estudam crianças e adolescentes de localidades como Vera Cruz e Catucá. O levantamento deve contribuir para aperfeiçoar o atendimento oferecido pela rede municipal e orientar ações específicas voltadas a esses estudantes.

Outra medida em andamento é a criação do Comitê Municipal de Educação para as Relações Étnico-Raciais, que reunirá representantes de comunidades quilombolas, povos de terreiro, comunidade indígena urbana, Secretaria da Mulher e outros segmentos ligados à diversidade. Entre as atribuições do colegiado estão acompanhar a política de educação antirracista, contribuir para a elaboração de ações permanentes e participar da construção de um canal de denúncias para casos de racismo nas escolas.

As iniciativas integram as medidas previstas no Decreto nº 025/2026, publicado em 18 de junho de 2026, que instituiu a educação antirracista como política permanente na rede municipal de ensino.

O documento determina que todas as escolas desenvolvam ações contínuas de valorização da história e das culturas afro-brasileira, africana, indígena e quilombola, além de adotar medidas para prevenir e enfrentar situações de discriminação no ambiente escolar.
Na prática, o decreto transforma em obrigação ações que antes poderiam ocorrer de forma pontual. A partir da nova política, as escolas deverão incluir esses conteúdos no currículo, ampliar a presença de diferentes referências nos materiais didáticos e desenvolver práticas que fortaleçam o respeito à diversidade, em consonância com as Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que tornam obrigatório o ensino da história e das culturas afro-brasileira, africana e indígena em todas as etapas da educação básica.

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