Promovida pela Fundação de Cultura e Turismo de Camaragibe, a 2ª Noite de Celebração do Patrimônio Cultural reuniu cortejo, música, manifestações populares e homenagens a mestres e grupos que preservam a memória, os saberes e as tradições do município
A Fundação de Cultura e Turismo de Camaragibe reconheceu 22 mestres da cultura popular do município nesta segunda-feira (17/08), durante a 2ª Noite de Celebração do Patrimônio Cultural, realizada no Cine Teatro Bianor Mendonça Monteiro, na Vila da Fábrica. A programação reuniu música, dança, cortejo e muitas homenagens.
O reconhecimento foi oficializado com a presença dos novos mestres no palco do teatro, onde receberam os certificados que simbolizam a conquista. O título valoriza pessoas que dedicam a vida à preservação dos saberes, fazeres e tradições da cultura popular, mantendo vivas manifestações como festas, danças, músicas e outros conhecimentos transmitidos de geração em geração.
A entrega dos certificados foi realizada pela vice-prefeita e secretária de Políticas para as Mulheres, Comandante Débora, pela presidente da Fundação de Cultura e Turismo, Rosa Santana, e pelo secretário de Educação, Alex Souza.
Para o prefeito de Camaragibe, Diego Cabral, reconhecer os mestres da cultura popular é dar visibilidade a quem mantém as tradições de Camaragibe vivas no dia a dia. “Tem gente que passa uma vida inteira fazendo cultura sem nunca receber o reconhecimento que merece. São mestres que aprenderam com os pais, com os avós e que continuam ensinando, criando e colocando a nossa cultura nas ruas”, afirmou.
A presidente da Fundação de Cultura e Turismo de Camaragibe, Rosa Santana, também destacou a importância de reconhecer e valorizar mestres e mestras, ressaltando que a cultura é construída pela resistência, pela ancestralidade e pela luta. Ela anunciou que a gestão está retomando a elaboração da Lei do Patrimônio Vivo, que terá o nome do mestre Zé Negão. Rosa também citou ações de mapeamento da cultura local, como o cadastro cultural e o levantamento de terreiros, e afirmou que Camaragibe possui uma produção cultural “pulsante, forte e resistente”. “Os mestres são resistências”, afirmou.
CORTEJO
A programação da 2ª Noite de Celebração do Patrimônio Cultural começou às 18h30, levando animação, música e muito colorido às ruas da histórica Vila da Fábrica. Um cortejo de cultura popular percorreu as principais vias, reunindo 15 agremiações carnavalescas. O percurso teve início na Praça Guarani e contou com a participação de Bois, Blocos Líricos, Ursos e La Ursas.
Depois do cortejo, o público seguiu para o teatro, onde assistiu ao concerto do Grupo de Metais da Secretaria de Educação de Camaragibe. Em seguida, o palco recebeu grupos de diferentes manifestações da cultura popular de Camaragibe, como quadrilha junina, Caboclinho, Coco de Senzala e Maracatu.
A vice-prefeita e secretária de Políticas para as Mulheres, comandante Débora, destacou a cultura como parte da identidade e do sentimento de pertencimento de Camaragibe. Ao parabenizar a Fundação de Cultura e o Conselho de Cultura, ressaltou a importância de artistas, mestres, grupos culturais, pesquisadores, educadores e comunidades na preservação da memória e das tradições do município. Para ela, valorizar o patrimônio cultural também é garantir que as novas gerações conheçam a história e as manifestações que ajudam a construir a identidade da cidade.
EMOÇÃO NO PALCO
Outro momento de grande emoção foi a homenagem ao Mestre Zé Negão, que subiu ao palco e logo envolveu a plateia ao cantar e tocar toadas do Coco de Senzala. Recentemente reconhecido como Cidadão Camaragibense e Patrimônio Vivo do Estado, o mestre foi recebido com aplausos e muito carinho pelo público. Em seguida, foi exibido um vídeo com a prestação de contas da Fundação de Cultura e Turismo.
Numa noite de grandes homenagens e reconhecimentos, a Fundação de Cultura não deixou de fora as pessoas e grupos que participam dos ciclos festivos de Camaragibe. Foram entregues placas aos representantes das celebrações das Paixões, do ciclo Junino, Natalino e do Carnaval.
No ciclo das Paixões, a homenagem foi para a Cia. Popular de Teatro (Juvino). No ciclo Junino, o reconhecimento foi destinado ao Movimento de Quadrilha (José Neves). No ciclo Natalino, o homenageado foi Paulinho. Já no Carnaval, a homenagem foi para o Boi Rubro Negro, representado por Verônica e Nonca.
O sanfoneiro Diego Cabral encerrou a noite com um repertório dedicado a Luiz Gonzaga. Ao som dos clássicos do Rei do Baião, o público cantou, dançou e transformou o encerramento em uma grande confraternização.
Quem são os novos mestres
PATRIMÔNIO
Vera Galvão – Mestra da cultura popular, com mais de 50 anos de trajetória nos movimentos sociais em Pernambuco. É fundadora do Centro Comunitário Vivendo e Aprendendo e da Associação Tapeçaria Timbi, além de idealizadora do Museu da Cultura Popular de Vera Galvão, em Camaragibe.
ARTESANATO
Pedro Luiz – Artesão e costureiro, atua na confecção de peças artesanais e figurinos, além de trabalhar com pintura e bordado. Fundou o Ateliê Palácio da Rainha, onde compartilha seus saberes por meio de formações e oficinas.
Maxwel – Artesão e escultor que trabalha com madeira de jaqueira, reproduzindo patrimônios materiais e imateriais de Pernambuco.
Fiinha – Artesã de Camaragibe há mais de 30 anos. Atua em feiras e grupos de artesãs, contribuindo para manter viva uma importante cadeia produtiva do município.
ARTES VISUAIS
Calico – Artista plástico que trabalha com pintura, escultura, arte autoral e arte ancestral, estabelecendo diálogo entre essas referências e a atualidade.
Barthô Alexandre – Pintor, desenhista, arte-educador, artesão e artista plástico, com 58 exposições coletivas e 10 exposições individuais.
CULTURA POPULAR
Nino – Mestre das agremiações carnavalescas Boi Rubro Negro e Boi Camarás. Ensina jovens e adultos a participar do brinquedo boi-bumbá, contribuindo para a continuidade da tradição.
Jaiminho – Mestre de bateria do Grêmio Recreativo Escola de Samba Couro de Gato. Desenvolve o trabalho de percussão com os integrantes da bateria, preservando a harmonia e a cadência do samba.
Márcio Ferreira – Presidente da Agremiação Carnavalesca Urso Supapo, é professor e transmissor do saber popular. Participa da confecção do brinquedo junto à comunidade, envolvendo jovens e adolescentes.
POVOS TRADICIONAIS
Pai Marcos de Xangô – Sacerdote atuante em casa de candomblé e Jurema Sagrada, com trajetória dedicada à preservação da cultura ancestral do povo negro e originário.
Mãe Cecília de Oxum – Sacerdotisa atuante em casa de candomblé e Jurema Sagrada, dedicada à preservação dos saberes, costumes e tradições ancestrais.
Mãe Dalva Iansã – Sacerdotisa atuante em casa de candomblé e Jurema Sagrada, com trajetória ligada à preservação da cultura ancestral e das tradições afro-indígenas.
Pai Djair de Iansã – Sacerdote atuante em casa de candomblé e Jurema Sagrada, com trajetória na preservação dos saberes e tradições ancestrais.
Mãe Leona de Oxum – Sacerdotisa atuante em casa de candomblé e Jurema Sagrada, dedicada à preservação da cultura ancestral e das tradições afro-indígenas.
ECONOMIA CRIATIVA
Salete Vange Marques da Silva – Representante da Tapeçaria e uma das tapeceiras mais antigas da entidade. Atua na produção de tapetes, painéis e almofadas junto às demais mulheres que integram a iniciativa.
MÚSICA
Paulinho BP – Músico com mais de 40 anos de carreira na MPB. É um importante nome da música de Camaragibe, com repertório influenciado por artistas como Djavan, Roberto Carlos e Reginaldo Rossi.
Lia de Camaragibe – Cantora e percussionista da cultura popular, reconhecida como referência na vivência do coco de roda, da ciranda e de outros ritmos tradicionais de Camaragibe.
LITERATURA
Rilda Velozo – Escritora de crônicas e poesias, com atuação na defesa dos direitos humanos e no movimento de mulheres.
Caio do Cordel – Poeta popular, cordelista, arte-educador, músico e empreendedor pernambucano. Utiliza a literatura de cordel e a educação para abordar o empreendedorismo e a transformação social nas periferias.
ARTES CÊNICAS
Euclides Faria – Ator, palhaço e produtor cultural, com mais de três décadas de dedicação à arte, à cultura e à preservação da memória. Também é psicólogo, psicanalista e historiador, com trajetória ligada à história cultural de Camaragibe.
Magal – Dramaturgo que iniciou sua trajetória artística no teatro no começo dos anos 1990. Dirigiu e escreveu espetáculos, participou de grupos como Risadinha e Caráter Público, fundou a Companhia Popular de Teatro e integrou a ATECA. Também colaborou na criação do primeiro Conselho de Cultura do município e no movimento pela implantação do primeiro teatro de Camaragibe.
Juvino Agner – Produtor e diretor teatral que iniciou sua trajetória nas artes cênicas em 1998, na Escola Carlos Frederico, em Camaragibe. Foi um dos fundadores da Companhia Popular de Teatro de Camaragibe, em 2005.